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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Poesia de vidro

Já fiz cartas que
escrevi as pressas
Já pintei um quadro
de dor aquarela

Parecia sangue
mas era lástima
Parecia talento
mas era lágrima

Exposto nos teus
braços, coxas e seios
toda a amargura
um deposito de anseios

Cada palavra dizia assim
"Vem pra mim"
Mas no tom da tua voz dizia
"Eu quero o fim. Só o fim"

Do caos do centro
ao terror de dentro
um turbilhão de desespero
em mares de desapontamento

Enquanto navegas no estreito
Eu cubro o que sinto com o peito

Conforme cubro a tristeza
com um sorriso bobo
Inconformado, desajustado
absurdo e tolo

Esculpe tuas palavras
em madeira nobre e num livro
Eu esculpo minhas palavras no vidro,
poesia feita de vidro.

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