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sábado, 9 de julho de 2011

Dezessete[17]

 

17

Esconde suas asas do céu e das gaiolas
ela só quer ter as dela devolta
as mesmas curtas plumas brancas
que, você, com carinho, arrancou.

Você nunca vai sentir o que ela sentiu
porque tirou tudo o que poderia sonhar
Não cegou seus olhos pra tudo o que poderia ver
deixa ela atrás de grades que você fez.

Onde ela vai chegar se é só um dia pela metade?
onde ela chegaria com as peças que você levou?

Você não a matou com a pior arma
você a deixou no abismo vendo tudo passar
Não a tirou os pés, nem os passos
você a deixou quase livre pra ser o que quiser

Onde ela vai chegar se é só um dia pela metade?
onde ela chegaria com as peças que você levou?

Atrás de grades que a fizeram
ver o que nunca mais terá
não, não dá pra fingir que mudou
teu sarcasmo já não te deixa melhor

Suas drogas já não tranformam mais
as companhias não ausentaram a solidão
os livros são poços sem fundo e sem razão
nada pode fazer os dias não passarem mais

Teus joelhos machucados pelo chão
pra enfrentar tormentos sem convicção
os dezessete que passaram foram em vão
sem forças pra tentar