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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Silêncio!

 

Não há tempo para regras,

Nem tempo para a pressa.

Então apresse-se a viver mais devagar.

Beba para não se embriagar.

Não compre a primavera que vendem nos mercados

Nem avance a saída que há em todos os lados

Dias fristrantes passam sem dificuldade

desde que, neles, sejam criados longos hábitos.

Não há tempo para regras

Nem regras para a fome

Então apresse-se a viver mais devagar

Não beba água para não chorar.

Não chame tudo o que parece verdade, de amor

não confunda sentimentos, com longos hábitos à dois.

E se você não lembrar o que vem depois do ‘eu não sei’

espere acontecer, aceite como é, e diga ‘eu te falei’.

 

Silêncio! Aqui não há nada que eu queira explicar…

Aqui não há nada que eu possa explicar…

OutOne–Uma saída

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Toda a face desfigurada
essa neblina cegante adormecida na estrada
Quão longe eu posso ir?
o que te fez chegar aqui diante dos meus olhos?

Ninguém no ponto a esperar
será que só consigo ver o que meu 'eu' quer enchergar?
Agora estou aqui a esperar
será que tem alguém aqui ou só um sepulcro caiado aguardando o onibus chegar?
Ninguém pode estar no meu lugar
mas eu insisto em ser dono dos dias que me levam a deriva desse mar
Porque eu posso ser perdoado e recomeçar?
não é culpa, só é essa falsa impressão que só eu precise me salvar!

Quando eu apontar o dedo pra julgar
é melhor eu parar e pensar nos anos em que passava horas
cambaleando em dois pensamentos sem decidir ou realizar
Quando eu via o raio de sol vencedor que passou pela fresta da nuvem ácida
eu sempre tentava explicar, eu sempre tentava explicar...

Sem destinção
vamos precisar de uma saída
não vamos poder nos esconder atrás desses
livros, discos e expressões fabulosas de efeito moral
Não vão ensinar, nem tampouco nos tocar
de que não há bonanza nessa aflição
e que é melhor abrir mão da guerra adiada e enfrentar
os riscos e aventuras da nossa vida normal.

vida real!

O que vai ser sua saída
não vai exigir de ti uma fama brilhante ou uma carreira falida
Vai exigir de ti, postura de vencedor
ganhador na aventura de uma batalha não vencida.

 

 

Indico: Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

        A peste – Albert Camus