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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A queda

- Eu quero que feche os olhos - Disse o homem para a menina.

Ela olhou com os olhos tristes e incompreendidos.

- Por quer quer que feche os olhos, moço?

- Porque quero que pare de ver e veja outra coisa.

Ela piscou algumas vezes, tornando a olhar para o homem, mas abaixou a cabeça e fechou os olhos, ainda tremolos.

- Agora você fará uma aventura. Não um esporte, não um exercício. Uma aventura.

- Sim. - Respondeu a menina.

- Queda livre. Sabe o que é isso? - Perguntou o homem, com uma voz suave sentado ao lado da menina.

- Quando você pula sem nenhum meio de proteger-se?

- Mais ou menos isso. - Disse o moço.

A menina mexeu levemente a cabeça.

- Você está num helicóptero e esta até sentindo o ar que vem das hélices nos seus cabelos. Está forte, não é? - Disse e perguntou à garota.

- Sim. - Um sorriso leve entre a hesitação e a excitação apareceu nos seus lábios.

- Agora você pode pular. - Disse o homem. 
- Você vai se questionar, mas você veio para fazer queda livre. E é isso que você vai fazer, não é?

- Ok. - Parecia um sono bem profundo.

- Então pule. - Ela frausiu a testa na região entre os olhos. 
- Você tem medo de altura, Christine?

- Não. Medo de cair. Ainda não pulei. - Respondeu a menina.

- Bem, a queda livre é uma aventura. E antes e durante, você tem que decidir uma coisa somente. Se irá desfrutar de todo o prazer da queda ou irá ter medo. 
- Mas eu vou cair... em queda livre. - Disse a menina, ainda com uma voz hesitante.

- Christine, você irá cair de qualquer jeito. Um paraquedas irá amortecer tua queda, mas você ainda irá cair. 
- E se eu não abri-lo a tempo e... - Questionou. Desta vez muito mais apavorada.

- Lembre-se que alguém estará com você, pegando na sua mão e te orientando. Esse é um grande segredo da queda livre.

- Mas... - ainda em dúvida.

- Chrstine, sinta a velocidade com que seu corpo perfura o ar, o peso dele com a gravidade. Quanta emoção. 
E você pode aproveitar, pois afinal, é uma queda gigante e você sairá vivo. Talvez meio tonto, cheio de adrenalina, mas vivo. Poderá estar no solo em breve, pisar na grama e olhar para o céu como se ele tivesse sido um sonho. A queda-livre é uma aventura que é sobre o que você levará da queda: O medo de cair e se machucar ou o prazer de pular e sentir.


sábado, 26 de dezembro de 2015


Eu sempre olhei pra ela como algo único, apesar dela sempre achar que tinha erros grotescos.
Eu tenho erros grotescos também. Sou uma aberração macabra dos erros grotescos.

Eu já não sei como andar e como lidar quando ela fala que não vai dar certo, quando ela diz que é uma péssima pessoa, e isso é uma bola de demolição nas minhas nos meus pilares. Eu a vi uma única noite, e estávamos apaixonados, em amor. Eu confiei nela como nunca confiei em ninguém. E ela sempre me disse que havia conflitos de auto-amar-se, de traumas de relacionamentos e tudo o que eu queria era mostrar pra ela que podemos ser diferentes. De tudo. Seres mágicos, de outras terras. Mas os conflitos (aka seu império particular) sempre teve mais voz. E o amor? Bem, onde entra o amor nessas conversas escritas por orgânismos digitais e virtuais? Eu sempre soube e sempre irei saber que a cartada final seria olharmos nos olhos um do outro, encaixar minha mão dentre os seus dedos pequenos e dar aquele encaixe perfeito.

Mas o que farei agora depois de tudo o que disse? Depois de tudo o que EU disse?
Eu não suportei sua distância, seu isolamento, seu confinamento. Acho que sofri muito mais que 24h. Eu sofri achando que você estava mal, que você estava se penalizando nos pensamentos, e depois de não conversarmos, comecei a pensar que talvez você não estivesse mais gostando de mim, que o império havia ganhado. Mesmo após marcamos e nos empolgarmos, lançarmos fogos pra quando você voltasse, pularmos numa cama, fumarmos muito, conversarmos, assistirmos. Era isso, não era?

Eu terminei. Tentei botar fim e tentar descobrir o que poderia ser. Não faço teste nas pessoas. Elas não minhas cobaias. Eu queria ver se isso valeria a pena. E valeu, pois minutos depois você me manteve-se aqui.
Eu assino meu erro. Ter dado fim porque não sabia como te falar. Como te falar sem parecer que é um homem te cobrando por querer se isolar. Isso não é patético? Soa, né.
Eu só pude fazer aquilo: Abrir a gaiola e ver você voar pra ver se meu abraço poderia ainda ser teu lar. E me machucou muito você ter dito que eu teria que procurar outro pássaro, pois tal pássaro você não poderia ser. Então algo desabou em mim, era algo muito bom, que mantinha minha confiança em mim e em você, individualmente.

Se eu pudesse materializar meu erro em poesia, ela seria uma poesia feia, cheia de teias, lodo e flores mortas. Porque a poesia é o que o sentimento é.

Sentimento? Bem, eu não duvido que você tenha algum. 
Mas eles estão sendo bem suprimidos pela sua aversão à entrega, ao ritual de ser vulnerável e o essa sua auto-defesa que queria muito quebrar.
Eu queria que ainda fosse a garota do Barba, que curte Weiss, bruxaria, tantas músicas boas, e que haviamos combinado tanta coisa legal junto.

Mas o coração quer o que o coração quer.
E não dá pra esquecer que a cabeça quer o que a cabeça quer.

E eu me sinto muito perdedor quando a luta é você contra você.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A poesia livre.

De fato, a poesia é como água, e outrora intocável, em outras vezes é inflamável. 
Você não pode estocá-la, pois ela não pertence a ninguém. 
Escapará teus dedos na primeira tentativa de manipulá-la.

Não pertence à linguagem, nem à comunicação, 
as leis autorais burocratas não a detém e deus sonha em, um dia, se-la. 
Ela (a poesia) pode te machucar, te alegrar, e até te fazer existir, te extinguir,
mas nunca deixará de dizer-te a verdade nua e crua.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Planos no aclive.

Longos beijos.

Filmes intensos.
Usa minhas roupas.
Pega meu cheiro.

Me enforca em seus braços
me junta ao seu rosto.
Quero explorar, provar
todo seu corpo.

Bebe a cerveja.
Vai ao banheiro.
Te espero aqui fora
cigarro e isqueiro.

Passam os carros.
E a gente dá risada.
Sobe pro largo
de madrugada.

É quase vazio.
É quase deserto.
Mas me sinto em casa
com você perto.

Anda comigo.
Na curva, na reta.
Rachando um taxi
ou de bicicleta.

Esses são planos
e a vida é um aclive.
Vamos continuar
contanto que acredite.

Beija minha barba.
Me faz dar risada.
Faz dos meus braços
a sua morada.

E se estes planos
foram vãos.
Vou manter forte
as nossas mãos.



*** (Sobre sonhar ser difícil, mas quando no papel ou bloco de notas facilita, eu consigo rabiscar coisas simples que traço pra eu e você)
Esse texto eu escrevi uns dois dias antes de conhecer você. E na verdade foram sobre os planos que me neguei a ter, mas que, no fundo, queria fazer com alguém como você.

Nem toda mudança é ruim quando se tem o autor da mudança pra te explicar os planos.

Você é um meteoro que mudou cursos
Onde era frio, agora é quente
O que era pra trás, agora é pra frente

Na nossa playlist altamente sensitiva
me sinto como um equilibrista sobre a corda, 
onde sonha em voar e a gravidade discorda.

Mas quando toca cada canção
eu te sinto junto a mim
E quando você esteve junto a mim,
tocou uma canção sem fim.

Quando eu sinto que não posso alcançar,
quando que preciso me esforçar
Me lembro como você pula pra poder me beijar.

E dai tudo está em seu lugar
Do pic nic que a gente ficou de planejar
e de como você pensa em viajar.

Espero estar nas malas,
entre suas roupas mais legais.
porque quando o mundo quer menos
com você eu quero sempre fazer mais.