Escravo da dor, escravo do pavor
escravo da cor, escravo do pudor
Escravo no saber, escravo do poder
escravo acusador, vitima da dor
Há um pouco de liberdade em todos nós
há um pouco de dor nesse prazer
tanto quanto há filhos de bem
gerados pelo estupro e a corrupção.
Escravos do orgulho, escravos do murmúrio
escravos inquietos, escravos calados
Escravos da Ira, escravos da mentira,
escravos da escravidão, da insensatez.
Há sangue escravo em nossas veias
há sangue de famílias contra a guerra, em nossas mãos
e de todo mistério que humanidade sustenta
há certezas tão incertas que, até a fé, tentam explicar.
Não há destino na escravidão
há um futuro exilado e um presente repleto de suor
um passado afogado, culpado e travado pelo martelo do júri
livres são aqueles que buscam seu melhor.
Escravo da lingua, escravo do acaso,
escravo do pensar que tudo está do teu lado
Escravo do escravo, Senhor do escravo
escravo do pensar que tudo é um jogo tramado.
Era escravo do pecado, agora escravo do alto flagelo
escravo das contendas, das palavras e do que levara a sério
Tu és escravo e eu uso das mesmas vestes
só serei livre quando encarar o que me coubeste
Talvez você morra e essa venda nos teus olhos
não venha a cair sobre o chão que pisas
Porque a escravidão é invisível e pouco notada
enquanto tu procuras por madeira e fogo, ela já está em cinzas.
“Esse é teu inimigo silencioso
parasita no corpo ocioso
Verme na maça do teu rosto
que devora a força do teu osso.”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário